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quarta-feira, 30 de março de 2011

Repórter se demite e acusa editor de cortar polêmicas de entrevista com Ivete Sangalo

Portal Imprensa » Últimas Notícias
Publicado em: 28/03/2011 19:08

enviado por e-mail pela colega Márcia do Amparo

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

Uma repórter do jornal baiano A Tarde se demitiu, nesta segunda-feira (28), sob a alegação de que o editor-chefe da publicação, Ricardo Mendes, teria cortado trechos de sua entrevista com Ivete Sangalo sobre questões delicadas, como a crise em sua empresa e um processo trabalhista de um ex-músico de sua banda. 


Em comunicado divulgado entre jornalistas, Emmanuella Sombra explicou que deixa o jornal após quatro anos e sem "uma ideia romântica" do que é a profissão "ou de que não vá enfrentar" novamente a mesma situação. 

A entrevista com Ivete Sangalo, feita na última sexta-feira (25), seria publicada na Muito, revista dominical do jornal A Tarde, e seguiu as recomendações da assessoria de imprensa da cantora, que pediu à repórter que não fizesse perguntas pessoais ou que tratasse de eventuais polêmicas com outros artistas. 

"Mas para mim, neste momento, publicar uma entrevista de capa, com oito páginas internas de perguntas e respostas, em que, aos olhos do leitor, não se toca em dois dos assuntos mais relevantes envolvendo a cantora (isso pelo menos nos últimos três meses) é praticar um anti-jornalismo ao qual, em quatro anos de profissão, não estou acostumada", escreveu Emmanuella. 

A repórter conta que não havia recebido qualquer recomendação de seus superiores quanto as restrições de temas com a cantora; sabia apenas que o gancho da matéria seria "o Troféu Dodô & Osmar, promovido e realizado pelo Grupo A Tarde, no qual Ivete Sangalo será mestre de cerimônias". 

Ainda que os dois assuntos fossem considerados constrangedores, a repórter afirma que Ivete Sangalo respondeu aos questionamentos de "forma paciente e educada, longe dos bastidores do show business, sem nenhum tipo de pressão, e explicou qual sua versão dos fatos, afirmando que o irmão continua à frente dos negócios mesmo à distância". 

A decisão de deixar o jornal em que iniciou sua carreira como jornalista ocorreu após o editor-chefe ter supostamente mantido seu nome na matéria, mesmo depois de a repórter pedir que o texto não fosse assinado por ela. 

"Se um jornal tem em mãos um material de relevância jornalística e decide não publicá-lo para não correr o risco de ferir suscetibilidades ou atender a qualquer outro interesse que não o de informar, nada mais faz do que pôr em  risco a própria credibilidade", disse a repórter. "Da minha, eu não abro mão", finalizou. 

Procurado pela reportagem do Portal IMPRENSA, Ricardo Mendes disse que não iria comentar o caso. 

O caso Aguirre Peixoto

Recentemente, o jornal A Tarde se envolveu em polêmica que extrapolou os limites do estado da Bahia ao demitir, por suposta pressão de empreiteiras, o jornalista Aguirre Peixoto, que escreveu uma série de matérias sobre crimes ambientais cometidos por incorporadoras com a conivência do governo estadual. 

O jornalista acabou readmitido em regime especial após dias de estado de greve e do jornal perder seu editor-chefe, Florisvaldo Matos, que deixou o A Tarde dizendo que sua decisão era de um profissional com 52 anos de jornalismo.     

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Bola de sorvete

Recebi o texto abaixo como sendo da Danuza Leão, mas ele é da jornalista Leila Ferreira

"Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente.

Uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido. Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel
ridículo. Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.

E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.

Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções..
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago ...

Você nasce sem pedir e morre sem querer. Aproveite o intervalo."